Comprar um notebook ou um console novo em 2026 exige mais planejamento do que há alguns anos. O que era caro já virou motivo de suspiração na hora de passar o cartão. Mas o aumento não vem da loja apenas decidindo lucrar mais. Ele começa em fábricas na Ásia, atravessa o câmbio, acumula impostos no Brasil e sofre com a disputa global por componentes.
Um laptop é um computador portátil completo, com tela, teclado e bateria integrados, usado para trabalho, estudo ou jogos. Um console, como o PS5 ou o Xbox Series X, é um dispositivo dedicado exclusivamente a entretenimento, com hardware fixo e otimizado para rodar jogos. Apesar de parecerem produtos diferentes, ambos dependem dos mesmos semicondutores, memória RAM e SSDs. Quando a demanda por essas peças explode, os dois sentem o baque.
Como o preço é formado antes de chegar às lojas
A jornada começa em linhas de montagem na China e Taiwan. O custo final pago pelo consumidor brasileiro é uma soma de fatores: valor dos componentes, fabricação, frete internacional, dólar, margens de distribuidores e, no Brasil, uma carga tributária que se acumula de forma cumulativa. Os impostos de importação, como o II, o IPI e o ICMS, são calculados “por dentro”, ou seja, um incide sobre o outro. O resultado é que o valor final pode ser drasticamente maior do que o preço de saída da fábrica.
Em 2025 e 2026, uma nova variável entrou com força nessa conta. A corrida da inteligência artificial pressionou a demanda por memória DDR5 e chips avançados, essenciais tanto para notebooks quanto para data centers. Com mais empresas disputando os mesmos lotes de semicondutores, o custo de produção subiu. A TrendForce projetou que notebooks mainstream, na faixa de 900 dólares, poderiam encarecer até 40% no varejo para manter as margens da cadeia em análise de março de 2026. Outros relatórios já apontam o fenômeno como uma onda de alta generalizada nos eletrônicos conhecida como RAMageddon.
Consoles não escapam. Apesar de terem hardware fixo e ciclos de renovação mais longos, eles usam os mesmos chips. Analistas alertam que os aumentos registrados em 2025 tendem a continuar neste ano, independentemente da carga tributária local. O PS5 Pro, lançado com preço elevado no Brasil, é um exemplo concreto de como hardware mais potente chega com etiqueta mais pesada.

Notebooks e consoles não sobem do mesmo jeito
A diferença entre os dois produtos fica clara na hora de repassar os custos. Em um notebook, a RAM e o processador podem representar cerca de 45% do custo total. Como existem dezenas de configurações diferentes, o consumidor sente a alta de componentes de forma imediata e variada. Um modelo intermediário que custava acessível em 2024 pode saltar para uma faixa premium em 2026 sem aviso prévio.
Consoles têm preços mais engessados. A Sony, Microsoft e Nintendo definem valores por modelo e região, e o hardware não muda até a próxima geração. Para segurar o preço de entrada, as fabricantes às vezes subsidiam o aparelho e recuperam o dinheiro com vendas de jogos e assinaturas. O aumento do Xbox Game Pass Ultimate no Brasil, que praticamente dobrou de valor em 2025, mostra essa migração de receita do hardware para o serviço. Quem compra um console hoje está, na prática, entrando em um ecossistema de pagamentos recorrentes.
No Brasil, a competição também muda. Notebooks disputam espaço com PCs montados localmente, que às vezes conseguem escapar de parte da carga tributária usando peças separadas. Consoles, por outro lado, são quase 100% importados. Não existe a opção de montar um PlayStation 5 em casa com peças mais baratas. Isso deixa o consumidor de videogame mais refém do dólar e da política de importação do que quem precisa apenas de um computador.
| Aspecto | Notebook | Console |
|---|---|---|
| Hardware | Variável e configurável | Fixo por geração |
| Custo sensível a | RAM, CPU e SSD | Fabricação, logística e câmbio |
| Alternativa no Brasil | PC montado localmente | Importação oficial ou paralela |
| Modelo de receita | Venda direta de equipamento | Hardware mais jogos e assinaturas |
Para quem precisa trocar de máquina agora, o cenário exige estratégia. Pesquisar promoções, considerar o mercado de usados ou adiar a compra de modelos intermediários são saídas reais. Alguns consumidores já reconsideram a relação custo-benefício entre as plataformas, avaliando se um laptop de jogos não oferece mais versatilidade pelo valor cobrado conforme discutido em análises recentes. Para gamers, a nuvem e as assinaturas podem postergar a necessidade de um hardware novo, embora exijam boa conexão de internet. O crescimento da cultura digital de jogos e a chegada de títulos cross-platform, como Moss: O Relic a PC e consoles, mostram que o acesso ao entretenimento não depende mais de um único aparelho caro.
No longo prazo, o Brasil segue vulnerável a qualquer oscilação cambial e à escassez global de chips. Propostas de ajuste tributário sobre eletrônicos em 2025 e 2026 foram parcialmente revogadas ou modificadas, mas não eliminaram o problema estrutural. Enquanto isso, a indústria tenta otimizar jogos para hardware mais modesto e investir em modelos de receita recorrente.
O preço na etiqueta é apenas a ponta visível de uma cadeia global complexa. Entender que o valor não subiu porque a loja quis, mas porque chips, dólares e impostos se encontraram no mesmo momento ruim, não barateia nada. Ainda assim, ajuda a tomar decisões melhores na hora de gastar.