Apagão de US$ 1,3 trilhão no setor de chips expõe a fragilidade por trás da febre da IA

Publicado: junho 7, 2026 Última atualização: junho 7, 2026 Por Thommas Van Peta

O mercado de semicondutores viveu nesta semana sua pior sessão desde os primeiros dias da pandemia. Na sexta-feira, 5 de junho de 2026, os fabricantes de chips negociados nos Estados Unidos viraram cerca de US$ 1,3 trilhão em valor de mercado em cinzas. O índice PHLX Semiconductor (.SOX) desabou 10,3% em um único pregão, o que representa a maior queda diária desde março de 2020. O recuo acumulado do índice em apenas dois dias chegou a 12%.

A correção não surgiu do nada. Dois dias antes, a Broadcom (AVGO) havia frustrado investidores com uma previsão de receita com IA abaixo do esperado. A leitura era clara: nem toda empresa com aposta na inteligência artificial gera dinheiro infinito. Na sequência, o forte relatório de empregos de maio nos EUA reacendeu o medo de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo. A combinação de notícias pressionou o Nasdaq a recuar 4,2%, sua pior sessão desde abril de 2025. O tom nas negociações mudou da euforia para a punição em questão de horas.

Os gigantes do silício sentiram o golpe em proporções distintas, mas quase todas registraram perdas severas. A Nvidia (NVDA) cedeu cerca de 6% na sexta-feira, destruindo mais de US$ 300 bilhões em capitalização e derrubando a empresa abaixo da marca dos US$ 5 trilhões. A Micron (MU) perdeu 13%. A AMD caiu 11%, enquanto a Intel (INTC) e a Broadcom recuaram cerca de 11% e 7,9%, respectivamente. A Marvell (MRVL) foi a mais atingida entre as grandes, despencando 16%. A reação unânime mostra que o mercado estava precificando perfeição em um cenário que exigia apenas solidez.

O que o episódio revela vai além de uma simples correção de preços. A leitura dominante nos bastidores é que o consenso em torno da demanda exponencial por IA já havia distanciado as cotações da realidade dos resultados trimestrais. Enquanto a tecnologia avança, os investidores agora cobram provas concretas de receita, não apenas narrativas de crescimento ilimitado. A dependência generalizada de componentes avançados deixa todo o setor vulnerável a qualquer sinal de resfriamento na economia ou na curva de investimentos.

Leia  Smartphones causam queda na natalidade? FT analisa o estudo

Investidores que tratavam o segmento de semicondutores como um trem bala sem freios agora precisam lidar com a possibilidade de que a próxima curva de crescimento será mais acidentada do que o esperado. Se os dados econômicos continuarem superando as estimativas e as previsões de receita da IA seguirem desapontando, o apagão de US$ 1,3 trilhão pode ser apenas o primeiro capítulo de uma correção mais estrutural. Para o setor, o desafio agora é reconstruir credibilidade sem depender exclusivamente do discurso de que a inteligência artificial justifica qualquer valorização.

Qual é a sua opinião?